segunda-feira, janeiro 29, 2007

Parabéns Mana!


Hoje chove muito
O vento forte esvoaça,
gela e vibra na ponta das orelhas…
Chovia assim quando nasceste.
Não me recordo muito bem desse dia.
Estava na escola, a tua amada escola.
Alguém, talvez a Bia, bateu à porta.
Tinhas nascido, estavas bem …
Dois quilos e novecentas no dia vinte e nove.

Recordo-me de ti apenas pela roupa,
As feições, tantas vezes repetidas na roupagem doutros,
Foram-se, transformaram-se apenas na memória do que senti,
no primeiro momento em que te vi.

Estranheza… o que senti foi estranheza.
O teu corpo, boneca de trapos, trazia defeitos.
Não reclamei… olhei!
Tinhas buracos atrás das orelhas,
Sinais estranhos, olhos azuis (lindos) onde deviam ser brancos.
Parecias perfeita, perfeitamente ao contrário.
Estranha!

Era como se fosses eu sem mim,
Como se fosses eu de dentro para fora.
Estranhei-te também por isso.
Adorei-te também por isso.

Hoje, catorze, estranho-te, amo-te,
como no dia em que chovia muito
e as pessoas diziam “criança molhada é criança abençoada!”

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